MUSICA
Musica.com
 Letras de Canciones
 Vídeos Musicales
 TOP Música
 Fondos de Pantalla
 Juegos de Música
 Chat de Música
Grupo/Cantante
A B C D E F G
H I J K L M N
O P Q R S T U
V W X Y Z 0 .. 9
 
Socios/as
 Login (Entrar)
 Registrarse
 Socios Online
Estadísticas
 Letras: 810.587
 Vídeos Musicales: 4.353
 Wallpapers: 34.378
Cambiar Página

MUSICA.COM > C > Caetano Veloso > O Navio Negreiro

Buscador de Música
A B C D E F G H I J K L M N
O P Q R S T U V W X Y Z 0 ... 9
 
Más Música
:: 20 éxitos de la década de los 80
:: Los mejores vídeos del momento
:: Los cantantes que más gustan
:: Puntúa a grupos y cantantes
CAETANO VELOSO 
Letras de Caetano VelosoVídeos de Caetano VelosoFotos de Caetano VelosoBiografía de Caetano VelosoForo de Caetano VelosoClub de Fans de Caetano VelosoFondos de pantalla de Caetano VelosoRanking de Caetano Veloso
LetrasVí­deosFotosBiografí­aForoFansFondosRanking

LETRA 'O NAVIO NEGREIRO'

Enviar_LetraImprimir_Letra
Enviar letra a un amigoImprimir letra

’Stamos em pleno mar
Era um sonho dantesco... o tombadilho,
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.

E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa dos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia
E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar,

Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais!
Qual num sonho dantesco as sombras voam...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanaz!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?... Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa musa,
Musa libérrima, audaz!

São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus...

São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão...
Homens simples, fortes, bravos...
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão...

São mulheres desgraçadas
Como Agar o foi também,
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos
Filhos e algemas nos braços,
N'alma lágrimas e fel.
Como Agar sofrendo tanto
Que nem o leite do pranto
Têm que dar para Ismael...

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana
Quando a virgem na cabana
Cisma das noites nos véus...
...Adeus! ó choça do monte!...
...Adeus! palmeiras da fonte!...
...Adeus! amores... adeus!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se eu deliro... ou se é verdade

Tanto horror perante os céus...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...

E existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa! chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no seu pranto...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu na vaga,
Como um íris no pélago profundo!...
...Mas é infâmia demais...
Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo...
Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!

Fuente: musica.com
Letra añadida por Duarttuk

Caetano Veloso

:: Ver todas las letras de Caetano Veloso que hay disponibles
:: Enviar letra O Navio Negreiro de Caetano Veloso por E-Mail
:: Imprimir la letra O Navio Negreiro de Caetano Veloso
:: Añadir letra de canción de Caetano Veloso
LETRAS MÁS VISITADAS DE CAETANO VELOSO

:: Caetano Veloso - letra de Sozinho
:: Caetano Veloso - letra de Amor Mais Que Discreto
:: Caetano Veloso - letra de Alegria Alegria
:: Caetano Veloso - letra de Eu Sei Que Vou Te Amar
:: Caetano Veloso - letra de 13 de Maio
:: Caetano Veloso - letra de Beleza Pura
:: Caetano Veloso - letra de Garota de Ipanema
:: Caetano Veloso - letra de Acontece
:: Caetano Veloso - letra de Você não me ensinou a te esquecer
:: Caetano Veloso - letra de Voce E Linda
[Ver todas las letras de Caetano Veloso ordenadas por visitas]

Links Interesantes
:: CINE.COM - Las mejores películas, cartelera de cine, fotos, juegos de cine..
:: MUSICA.COM - Letras de canciones, vídeos de música, wallpapers, fotos..
:: VIDEOJUEGOS.COM - Videojuegos en flash para que pases un buen ratillo
Aviso
Las letras disponibles en musica.com tienen propósitos meramente educativos. Todo el contenido de musica.com (vídeos, letras, fondos de pantalla, etc) es gratis, excepto las melodías
Musica.com .. Ayuda .. Publicidad .. Política de Privacidad .. Versión Móvil